minha relação com a transgeneridade

eu e a minha vó <3

Desde, mais ou menos, agosto de 2024, eu me percebo como trans, mas tendo contato com outras pessoas trans eu vi que eu tenho uma experiência diferentes delas com isso, isso se dá tanto na questão da descoberta, como na de como nos vemos em relação ao gênero e quem éramos antes. Mês passado eu fui na casa do Polar com a Niko e a Cherry, eram 4 pessoas trans no mesmo ambiente, foi maravilhoso. Num momento do rolê estávamos conversando sobre nome morto, eu disse que não tinha problema com o meu e que na real, acho que nem teria um. Eles disseram que isso ia mudar no futuro, mas acho que não.

Antes de comentar sobre nome, tem uma coisa que eu toda hora fico refletindo e que eu acho que vale mais a pena falar antes: como eu me entendo em relação aos gêneros. Imagino que a maioria se veja preso num corpo do sexo oposto, mas comigo não é bem assim. Eu me vejo como uma coisa neutra, presa num corpo masculino, que busca um dia se tornar mulher. Isso é algo que eu já conversei com a Niko antes, eu sei que ser mulher não depende de nascer assim ou ter certos requisitos estéticos, mas eu não me sinto nada válido como mulher sem parecer com uma ou pensar como uma, coisa minha. Isso é algo que até reflete meu problema com pronomes: não gosto do masculino porque eu não sou homem; não gosto do neutro porque eu não sou neutro, eu pareço como um homem e ainda infelizmente tenho traços de comportamento de um; e não gosto do feminino porque não sou mulher ainda. No fim, uso qualquer um, mas no dia a dia uso o masculino por ser mais seguro.

Outra coisa que acho que experiencio diferente: a relação consigo mesmo antes de se descobrir trans/transicionar. Pra mim, serão duas fases diferentes, o Pietro no Guanella, puro e querido que, após refletir enquanto escrevia, vi que não enxergo como homem, mas claro, não era uma mulher. E a Pietra que eu espero que um dia nasça. Por causa desse meu jeito de me interpretar, não teria motivo de desgostar do nome Pietro, porque eu era e em partes ainda sou. Isso se reflete na minha "persona" do pietro games, que faz alusão a essa minha fase de quando era criança, tendo um canal no Youtube de Minecraft e ficando o dia inteiro jogando e explorando a internet.

Tudo isso talvez se dê porque eu não sou autista e nem tenho neurodivergencias, então experienciei a transgeneridade não por não compreender o conceito de gênero, mas apenas por desejar me encaixar em outro, mas posso tá falando merda, não sei, apenas to refletindo no meu cantinho aqui.

FIQUEI COM VONTADE DE MUDAR DE NOME!

Isso aqui é tipo um pós-crédito, o texto mesmo já acabou. Só queria comentar que, depois que eu vi o Velas Escarlate, eu fiquei fascinado com o nome da protagonista: Assol. Além de diferente pkrl, eu me identifiquei, agora to com dois corações, amo o nome Pietro, mas Assol é hard afu também. No fim, fodase, vai demorar até eu me tornar mulher (se é que eu vou conseguir me tornar uma), então tenho uns bons anos pra pensar sobre isso. Eras isso.